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O veneno de abelhas, ou apitoxina, é a forma química de defesa das abelhas contra predadores ou invasores do seu território. Os antigos historiadores da filosofia como Hipócrates, Tácitus e Plínio já descreviam os efeitos da apitoxina e o médico suíço Paracelso(o pseudônimo de Phillipus Aureolus T. B. von Hohenheim) definiu que a diferença entre o veneno e o remédio é simplesmente a dosagem.
O uso da apitoxina é muito antigo e veio provavelmente da observação de que os primeiros apicultores recebiam muitas picadas e não tinham problema de reumatismo. A picada natural da abelha também é um método empregado principalmente por acupunturistas. Quatro componentes são destacados na composição da apitoxina: Dois são peptídeos de baixo peso molecular, a melitina, cerca de 50% do peso seco; a apamina, cerca de 3% do peso seco.
A melitina é uma substância de ação anti-inflamatória, sendo considerada o principal agente da apitoxina. Junto com a apamina, a melitina estimula os sistemas adrenal e pituitário a produzirem cortisol e outros esteróides naturais, que têm importante papel na terapia e não produzem as complicações médicas associadas aos esteróides sintéticos.

Composição média da apitoxina brasileira
(Fonte: http://www.apacame.org.br/mensagemdoce/66/apitoxina.htm)

COMPONENTES

Massa molecular

%
(veneno seco)

Referências

PEPTÍDEOS

 

Melitina

2,840

40-50

Neumann et al., 1952

Apamina

2,036

2-3

Habermann et al., 1965

Peptídeo MCD 401

2,588

2-3

Fredholm, 1966

Adolapina

11,500

1.0

Shkenderov, 1982

Inibidor de protease

9,000

< 0.8

Shkenderov, 1973

Secarpina

 

0.5

Gauldie et al, 1976

Tertiapina

 

0.1

Gauldie et al, 1976

Melitina F

 

0.01

Gauldie et al, 1976

Procamina A, B

 

1.4

Nelson and O’Connor, 1968

Minimine

6,000

2-3

Lowy et al, 1971

Cardiopep

 

< 0.7

Vick et al, 1974

ENZIMAS

 

Hialuronidase

38,000

1.5-2.0

Neumann & Habermann

Fosfolipase A2

19,000

10-12

Habermann & Neumann, 1957

Glucosidase

170,000

0.6

Shkenderov et al, 1979

ácido fosfomono-esterase

55,000

1.0

Shkenderov et al, 1979

Lisofosfolipase

22,000

1.0

Ivanova et al, 1982

AMINAS ATIVAS

 

Histamina

 

 

 

Dopamina

 

0.13-1.0

Owen, 1971

Norepinefrina

 

0.1-0.7

Owen, 1982

COMPONENTES NÃO PEPTÍDEOS

 

Fosfolipídeo 6

 

< 2.0

O’Connor et al, 1967

LIPÍDEOS

 

Carboidratos: Glicose & Frutose

 

4.5

O’Connor et al, 1967

AMINOÁCIDOS

 

Ácido r-aminobutírico

 

< 0.5

Nelson & O’Connor, 1968

Ácido B-aminoisobutírico

 

< 0.01

Nelson & O’Connor, 1968

Substâncias do veneno de abelha e seus efeitos:


Fosfolipase A (enzima)
  • Atividade radioprotetora;
  • mastocitolítico;
  • Liberação de histamina;
  • Depressora da pressão sanguínea;
  • Propriedades antigênicas;
  • Este é o maior alergênico do veneno de abelha;
  • Antagonista do efeito da alfa-toxina no staphylococos e da toxina do tétano;
  • Efeito antitumoral;
  • Atua na membrana biologica

Hialuronidase

  • Ataque seletivamente de polímeros do ácido hialurônico aos tecidos;
  • Aumento da permeabilidade capilar (Neumann and Habermann);
  • Propriedades de resposta immune e propagação do tecido;
  • antigênico
  • anafilatogene

Apamina (polipeptídeo com 18 aminoácidos)

  • antigênico e;
  • Propriedades antiinflamatórias

Melittina (polipeptideo que também consiste de 26 aminoácidos os quais representam 40-60% do veneno de abelha)

  • antibacteriano;
  • antifungo;
  • anti doença do Lyme (experimento in vitro)
  • antitumoral;
  • inibidor do sistema nervoso central;
  • bloqueador de nervos musculares e das sinapses gangliais;
  • contração do músculo estriado e do músculo liso;
  • Liberação de histamina;
  • mastocitololísico;
  • radio proteção (irradiaçãoX; estudado em ratos, Shipman and Cole, 1967);
  • aumento da permeabilidade vascular;
  • hemolisis;
  • abaixa a pressão sanguínea;
  • antiinflamatório;
  • melitina (a qual representa 40-60 % das substâncias do veneno de abelha) não tem propriedades antigênicas (Orlov); Contudo, de
    acordo com Artemov, os inimigos das abelhas adqueriam imunidade específica;
  • estimulação pituitaria – o axi adrenal aumenta ambas catecolaminas
    e cortisol (Brooks et al.);
  • aumenta o nível de cortisol plasmático;
  • atua nas membranas biológicas.
  • No presente, este é um dos mais potentes agentes antiinflamatorios conhecido, e pode ser utilizado para tartar artrites e reumatismos.

Célula Mast peptídeo degranulação

  • Em alguns animais estudados, em estudos comparativos
    com hidrocortisona, este peptídeo foi 100 vezes mais potente
    que um agente antiinflamatório na supressão do desenvolvimento
    de artrites induzidas por adjuvantes. (Simics p 13) & quot.

Cardiopep

  • aumento ambos a força de contração (beta-adrenergica ) e a taxa
    de coração com pouco ou nenhum efeito na circulação coronariana(Brooks et al.);
  • propriedades anti-arrítimicas (Brooks et al.);
  • estimulação pituitária – o axi adrenal aumenta ambos catecolaminas
    e cortisol (Brooks et al.)

Adolapina

  • analgésico (Shkenderov, 1982);
  • antiinflamatório (Shkenderov, 1982)

Precauções

A apitoxinoterapia é contra-indicada a pacientes hipersensíveis ao veneno de abelhas. Uma forma de avaliar esta sensibilidade é a aplicação de uma diminuta quantidade no antebraço do usuário. Caso ocorra reação imediata como coceira, dor ou algum desconforto, o uso deverá ser interrompido e o médico comunicado.
É também contra-indicada para pessoas com insuficiências cardíacas, renais e pulmonares, transplantadas que tomam medicamentos contra rejeição, doenças agudas instáveis com quadros de infecção crônica e sistêmica, diabéticos insulino-dependentes, pacientes com cirrose e usuários contínuos de beta bloqueadores.
Nesses casos, a decisão pelo uso de apitoxina deve ter os riscos calculados e os pacientes devem ser suficientemente esclarecidos e cuidadosamente acompanhados pelo apiterapeuta.

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